História

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Em 1960, a senhora Bernarda Silvestre, de saudosa memória, recebia o chamado de Deus e a visão para iniciar o atendimento a meninas órfãs. Porém, o trabalho social já era realizado ao lado de seu esposo, pastor Anselmo Silvestre, quando recebia em sua residência pessoas enfermas vindas de diversas cidades mineiras. Sendo assim, através da Igreja alugou no bairro Salgado Filho uma casa, dando inicio a um orfanato, atendendo a 12 meninas. Em seguida, foi construído na Rua São Paulo, 1341, Belo Horizonte, um cômodo de madeira e, junto com suas amigas Eliza Fortini, Expedida Ribeiro e outras mulheres que foram convidadas, iniciou-se a confecção de vestidos infantis para serem revendidos com o objetivo de alavancar recursos para aquisição de um terreno que já havia sido escolhido por ela, onde seria construído o Lar Betel.

Sendo uma pessoa empreendedora, de imensa fé e determinação, imbuída da grande missão que recebeu da parte de Deus, abraçada pela Igreja, ela adquiriu quarenta lotes. Através de mutirões realizados pelos membros da igreja e orientados por um construtor, foi construído o primeiro prédio da associação. O edifício tinha uma estrutura singular, pois acomodou 85 meninas com idade a partir de um ano.

As dificuldades foram enormes para levar a missão à frente. Diversos foram os colaboradores que investiram na construção. As senhoras da Assembleia de Deus confeccionavam vestidos que eram vendidos para diversas regiões, com toda a renda aplicada na provisão e pagamento do terreno. Anos mais tarde, veio a noticia de que, devido à construção de uma via pública, a área seria desapropriada. Foi um tempo difícil. Novas campanhas foram iniciadas para que um novo prédio fosse construído para abrigar as meninas. Bernarda Silvestre estava com a sua saúde debilitada, mas não desistiu. Na ocasião, a Assembleia de Deus e seus membros apoiaram o novo empreendimento. Novos mutirões foram feitos e assim edificada uma nova casa. Um prédio de dois pavimentos foi erguido para ser o novo lar das meninas, denominado ‘Lar Betel’.

Devido a mudanças na legislação, a Associação Betel de Assistência Social passou a trabalhar no sistema de Abrigo, atendendo a 36 meninas na faixa etária entre 2 a 10 anos. Programas de assistência psicológica, assistência médica, reforço escolar, arte, terapia com materiais diversos, educação pré-escolar, acompanhamento familiar buscando promover a reestruturação na família, além de observar os cuidados necessários para com as famílias substitutas, acompanhamento para adoção com o apoio da vara da Infância e Juventude, eram as metodologias do Abrigo.

A Associação oferecia às internas a possibilidade de participarem de um coral infantil e grupos de coreografias. Lazer dirigido e horta caseira também compunham as atividades no local. De 1994 a 1999, foi firmado uma parceria com a Visão Mundial. Assim, 165 crianças externas eram atendidas com vários programas, buscando incentivar os estudos e auxiliar as famílias da comunidade em suas carências, promovendo a possibilidade de melhoramento no rendimento financeiro e na diminuição da evasão escolar, entre outros benefícios. Nestes 40 anos de funcionamento, mais de 2.800 crianças foram atendidas, além das que ali cresceram, casaram-se e formaram famílias. Hoje, temos boas noticias de famílias que foram formadas a partir desta iniciativa. De 1996 a 2007, a entidade ofereceu cursos profissionalizantes na unidade de Contagem e Belo Horizonte, tais como iniciação de informática, alfabetização de jovens e adultos, repasse de cestas básicas, atendimento psicológico, socialização familiar e biblioteca comunitária. Através de convênio firmado com a MEB (MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DE BASE) e MEC (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA), mais de mil alunos matricularam-se no curso de alfabetização. Destes, 750 foram totalmente alfabetizados. A instituição também atendeu em sistema de creche e pré-escola a mais de 70 crianças da comunidade.